Arnaldo Jabor e a saudade das mentiras do passado. Havia arte.

Eu já menti, tu já mentiu, ele já mentiu. Nós já mentimos? Eu estou mentindo!

Sempre que posso assisto aos comentários de Arnaldo Jabor, cineasta, crítico e escritor. Ele desenvolveu uma técnica própria para expressar suas idéias, uma técnica cheia de mirabolismos, metáforas, assemelhados e congruências cuja desenvoltura descritiva por vezes é muito complexa de modo que nem sempre nos é possível captar o que as entrelinhas do comentário estão querendo nos transmitir.

arnaldo jabour, jornal da globoNa edição do Jornal da Globo do dia 18 de agosto de 2009, Arnaldo diz que a opinião pública já está com saudades das mentiras do passado. Segundo ele, antigamente o mentiroso se ruberizava, tremia a voz. As mentiras eram bem feitas. Havia arte. Hoje essa gente não desrespeita apenas a verdade. Eles não respeitam mais nem a mentira.

Isso foi dito referindo-se ao episódio em que a ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira afirmava ter se encontrado com Dilma Roussef e que ela (Dilma) teria lhe pedido para agilizar a fiscalização do filho do senador Sarney.

Alguém da oposição, certamente com capacidade perceptiva muito grande entendeu que o termo "agilizar" teria um significado diferente de acelerar, fazer andar mais rápido, resolver logo. Posta a dúvida criou-se uma distração que acabou se tornando mais uma forma de colocar a adversária política (Dilma) em uma situação embaraçosa, principalmente porque ela (Dilma) nega ter se encontrado com Lina. Mais tarde, em depoimento na CCJ, Lina teria dito que "ela não me pediu para encerrar sem resultados, para mais ou para menos. Interpretei que seria para dar um andamento mais célere às investigações".

Voltando ao ponto, estou tentando entender a quem se referia a afirmação do Jabor de que a opinião pública já está com saudades das mentiras do passado. Passado é o que passou, e como o alvo é a pretensa candidata à presidência em 2010, penso que ele se refere às mentiras do governo e não dos congressistas.

Os governos anteriores foram:
Fernando Henrique Cardoso (MDB, PMDB, PSDB) - 1995 / 2003
Itamar Franco (PTB, MDB, PL, PRN, PMDB) - 1992 / 1995
Fernando Collor(PDS, PMDB, PRN, PRTB e PTB) - 1990 / 1992
José Sarney (UDN, ARENA, PDS, PMDB) - 1985 / 1990
Milicos (1964 / 1985)

Arnaldo afirma também que "as mentiras eram bem feitas. Havia arte." Será que ele se referia à possíveis mentiras do FHC? Não pode estar falando do Sarney já que seria contraditório, uma vez que Sarney já esta no poder desde o passado remoto. Será que ele se referia aos milicos, num tom saudosista?

Estaria Arnaldo nos ensinando que é necessário aprender a técnica de mentir bem. Algo como: Se você for aplicar uma mentira, faça bem feito, utilize as técnicas de entoação de voz, ponha arte nessa falseta... Ou enquanto cineasta pretenderia elevar a mentira à categoria de arte? Quem sabe à oitava arte?

Finalizando seu comentário de forma apoteótica, Arnaldo Jabor nos indica de forma subliminar que a mentira deve ser respeitada. Estaria Arnaldo Jabor defendendo ou atacando a mentira?

Os comentários do Jabor são interessantes pois nos obrigam a pensar e tentar entender os mecanismos da psiquê humana, suas contradições aparentes e os anseios camuflados pelo jogo de palavras num dado contexto político. Ao final nem sempre chegamos à conclusão alguma, mas pensamos.

Texto do comentário
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“Eu fui lá no Planalto”. Não ela não foi. “Fui sim, ela estava com um xale lindo”. Não foi. Aí o Lula se meteu: “a Lina podia ter mostrado a sua agenda”. E a agenda do Planalto. Ninguém entra ali sem carteira e foto. Porque a Dilma nega? A Lina disse apenas que ela mandou ‘aligeirar’ o processo do filho do homem.

Então é uma análise de sentido, semântica? ‘Aligeirar’ que dizer: vai logo e ferra o filho do Sarney ou livra a cara dele? A única conclusão é que essa polêmica está servindo para ocultar uma outra verdade: a Lina saiu da Receita Federal porque questionou a Petrobras e o governo não quer CPI que mexa nesta caixa preta de petróleo.

É fascinante, quase maravilhoso ver metade da tropa de choque do governo, a rapidez das jogadas, os risos cínicos, os punhos erguidos. Que bela linha de passe das cobras criadas no PMDB e no PT. Como são hábeis. Todos treinados em processos na justiça e nas CPI´s. Profissionais que amanhã no Senado vão provavelmente arquivar tudo sobre o grande timoneiro do atraso.

A opinião pública já está com saudades das mentiras do passado. Antigamente o mentiroso se ruberizava, tremia a voz. As mentiras eram bem feitas. Havia arte. Hoje essa gente não desrespeita apenas a verdade. Eles não respeitam mais nem a mentira.

Arnaldo Jabor - Agosto de 2009

Comentários

  1. Quem é Arnaldo Jabor?
    A maior pova da decadência intelectual de um indivíduo é perder tempo lendo algo que esse pseudo intelectual escreve.

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