segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ofender alguém com classe, uma alternativa plausível

albert einstein, inteligencia, ofensas elegantes, chula
raceocina genti

Ofensas chulas: isso é tão medíocre e simplório

Um dos problemas dos brasileiros é a falta de criatividade, principalmente em determinadas situações onde a reação verbal exigida, é normalmente resumida a algumas frases de efeito moral, pré-estabelecidas. Provável herança cultural captada por indivíduos que por preguiça mental são incapazes de criar suas próprias ofensas personalizadas. Assim seguem por toda a vida, como uns 'maria vai com as outras' que se contentam em repetir dizeres de características supostamente agressivas aos ouvidos alheios.... foram criados assim... normal... simplórios que supõem que tais xingamentos tem um poder de ferir imbatível. Ledo engano.

Já dizia Rui Barbosa quando ao chegar em casa e ouvindo um barulho estranho vindo do seu quintal percebeu um ladrão tentando levar seus patos de criação. Foi quando vociferou:
Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
Captou e essência? Há momentos em que até por uma questão de saúde psicológica é preciso responder a altura a determinado desagravo sofrido, principalmente naquela hora em que você está 'fulo' de raiva com alguma situação inusitada que lhe surgiu. Por exemplo: quando ao final do dia, depois de uma jornada exaustiva, você estando há horas na fila do ônibus da linha Gotuzzo e quando chega sua hora de embarcar, um(a) espertinho(a), na maior cara de pau, fura a fila, bem na sua frente. Contenha sua vontade de mandá-lo(a) 'se fuder' e descarte o óbvio 'vá a puta que te pariu' nem pense em pegá-lo(a) pelo pescoço, em vez disso sugira o inesperado, preferencialmente engraçado. Uma pesquisa no dicionário ampliará seu vocabulário e de quebra, o(a) mané nem vai perceber que está sendo ofendido. Seja criativo. Fuja do óbvio. Não espere que eu te ensine como xingar alguém com classe, apenas coloquei a ideia em sua cabeça de forma que você possa sair de sua condição frustrante e replicante do vulgar, típico da ralé. Pense, pesquise... seja original e nunca imite.

Veja algumas dicas usadas pelos 'imortais' da ABL (Academia Brasileira de Letras):

Há velhos que procuram enganar-se a si mesmos, pintando os cabelos, embora as florejantes e fartas cabeleiras antigas já tenham sido devastadas pela sabedoria ou impiedade dos tempo, que as converte em insidiosas relíquias capilares... o uso imoderado dessa tintura, ou pintura, para esconder o inescondível e disfarçar o indisfarçável, casa-se com a boquirrotice provocadora... Mas, tintureiro de si mesmo e boquirroto, esse personagem bizarro merece e reclama, de nossa parte, não um ato agressivo ou belicoso, ou alagoano [Ivo nasceu em Alagoas], mas a muda expressão dessa piedade e dessa misericórdia que devem habitar sempre os nossos corações... Não pertenço à raça dos velhos trôpegos que, com voz de falsete, emitem arrulhos indecorosos em ocasiões em que a decência reclama o ritual do silêncio. Mas a razão decisiva que me levou a não suspender a minha palestra é outra. Além de ter mantido em mim a voz de minha juventude, Deus me aquinhoou com o sentimento da misericórdia - que é a compaixão suscitada pela miséria alheia - e da piedade, que é dó e comiseração... Confesso, Sr. Presidente, que me confrange o coração assistir ao penoso espetáculo dos que, alcançada a velhice, ostentam em seu trajeto os sinais indeléveis e quase póstumos da decadência física, mental e moral aceleradas, e mesmo amparados por bengalas astutas rastejam nos salões, corredores e auditórios tão lastimosamente, com os olhos mortiços fixados no chão, como se temessem resvalar em uma cova aberta. Há velhos que não sabem envelhecer e, desprovidos da alegria e do amor à vida, e do emblema do convívio, destilam ódio, inveja e despeito, porejam calúnias e intrigas, bebem o fel do ostracismo e da obscuridade. Há velhos que procuram enganar-se a si mesmos, pintando os cabelos, embora as florejantes e fartas cabeleiras antigas já tenham sido devastadas pela sabedoria ou impiedade dos tempo, que as converte em insidiosas relíquias capilares. Esses velhos enganosos e enganados, o padre Manuel Bernardes os estampilha de "tintureiros de si mesmo... Tenho dito.
escreveu Lêdo Ivo (87).

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