A princesa na torre

O mito da princesa na torre nasceu na Idade Média. Os homens precisavam ter certeza de que o útero da mulher produziria herdeiros legítimos e não bastardos, então faziam lindas e enormes salas onde as mulheres da nobreza podiam ouvir poesia e música, serem penteadas e adornadas, serem servidas das iguarias produzidas na época, tecerem, bordarem e outras frivolidades com que pudessem passar o tempo, enquanto os homens se ocupavam dos assuntos sérios de verdade. Elas eram servidas por eunucos (homens literalmente sem saco para mulher) e nenhum homem queria que elas apreciassem política, que metessem o seu bedelho na educação dos filhos ou que achassem que podiam controlá-los ou influenciá-los de forma alguma. Bibelôs muito frágeis e belos para serem apreciados e abandonados.

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As mães criavam as filhas para serem absolutamente tapadas e que soubessem abrir as lindas pernas para o homem certo. E o homem certo era escolhido pelos pais, não importava que fossem velhos, desdentados, violentos... Só importava que tivessem terras e títulos. E a igreja contribuía mostrando que as filhas de Eva eram a perdição, demônios postos na terra para perturbar os sentidos dos homens e desviá-los do caminho da santidade. As mulheres não podiam ser amadas, não podiam ser desejadas, elas tinham que ser tratadas como uma maldição, um peso a ser carregado, um contratempo na vida masculina. Um grande homem se definia pelas terras que conquistava, pelos inimigos que matava, pela riqueza que acumulava, pela influência política na corte, ou por sua fama clerical como homem religioso e santo. Nenhum desses tipos devia ter seu nome ligado à paixão pelas mulheres, isso era feio, era desonroso.

Então para que as pragas das mulheres serviam?

Para produzir herdeiros legítimos. Herdeiros homens.

As marcas desse tempo ainda perduram no subconsciente de ambos os sexos. Os homens fazem de tudo para não se sentirem amarrados a uma mulher. Dominados, então, nem em sonho. Somos o útero. O que importa mesmo, é se podem ter acesso livre ao útero. Outra coisa importante é saber se somente ele vai ter acesso a esse útero. O resto da mulher é dispensável.

Quanto a nós ainda nos sentimos muitas vezes na torre, tentando passar o tempo com música, poesia, cabelo, unhas, e outros frufrus... Querendo ser mais do que um útero. E no afã de que percebam que somos mais do que um útero nos envolvemos com política, nos dedicamos a educação dos filhos, desafiamos as ordens e planos da família, tentamos desmistificar o mito de que somos demoníacas, e nos negamos a ficar na torre. Mas até que ponto a mulher é vista como um ser integral e não apenas um útero? Quem pode afirmar que realmente é querida por um homem? Como saber que ele não está interessado só no útero?

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