Para alguns juízes gaúchos processo eletrônico faz mal à saúde

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Um estudo promovido pela Associação de Juízes Federais do Rio Grande do Sul (Ajufergs), e que envolveu 92 juízes entre 23 de maio e 8 de junho de 2011, aponta que o processo eletrônico está afetando a saúde dos magistrados. Segundo consta, desde que foi instalado o primeiro software, quase 80% deles perceberam piora em sua saúde e bem-estar em decorrência do trabalho. Já 95% dos magistrados federais acham que daqui pra frente a coisa vai piorar ainda mais sua saúde.

Dos juízes ouvidos, 20% disseram não sentir nenhuma mudança, enquanto apenas 1% acha que houve melhora. Entre os problemas relatados, 73% reclamaram da visão e 54% de dores físicas. 47% se referiram a cansaço, dor de cabeça ou problemas no sono. Entre os problemas de visão, 86% afirmaram sentir dificuldades de enxergar, como ardência ou cansaço nos olhos e aumento de grau nos óculos. Os que falaram em dores físicas, 50% sentiram as mãos, os dedos e os punhos, 47% reclamaram de dores nas costas, 41%, pescoço, e 37%, nos ombros. Quanto à mente e bem-estar, 44% relataram cansaço, stress, nervosismo ou preocupação excessiva, 33% falaram de dores de cabeça e 14% disseram sofrer de ansiedade ou depressão. 

Movimentos repetitivos
Na opinião do coordenador do estudo, juiz federal Cândido Leal, há dois grandes problemas com o processo eletrônico. O primeiro é a visualização das páginas dos processos, feita por meio de uma tela de computador, que exige um clique a cada mudança de página. Em um processo com 20 volumes, de acordo com Leal, a tarefa se torna exaustiva. O segundo problema é o sistema de assinatura digital, que exige, segundo ele, 11 cliques. 

Outra queixa é o sedentarismo a que o computador força os juízes. Leal relata que, com os processos em papel, os juízes são obrigados a levantar e transportar os volumes das estantes até suas mesas. Com o computador, não é mais necessário sair da cadeira. Ao mesmo tempo em que isso aumenta a produtividade, é um agravante para problemas físicos relacionados a postura e movimentos repetitivos.

Leal também aponta para decisões tomadas à revelia dos juízes. O coordenador da pesquisa conta que não houve consulta sobre o que deveria ter no novo software, ou o que os novos equipamentos precisam. Reflexo disso está no relatório: 82% dos magistrados estão insatisfeitos com a conexão e estabilidade do sistema e 43% estão insatisfeitos com os equipamentos físicos, os hardware. Por conta disso, 98% dos juízes federais gaúchos disseram que deveriam ter sido consultados sobre as decisões de informática.
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É... depois do setor de abatedouros avícolas, de frigoríficos de gado e dos digitadores temos agora mais uma categoria sofrendo os efeitos danosos da LER (lesão por esforço repetitivo) e tendo que se sujeitar às precárias condições de trabalho...É...

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